Chance

"Que procuras? Tudo. Que desejas? Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão." Cecília Meireles



Pode Falar: Terça-feira, Maio 23, 2006

*Conversa com Mary meio 'Popin' na net:
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IdentiDaDe é moeda de TRoca no mundo gloBaliZado. Quem não saBe o Q é, nãO tem o q trocar e é AnEXaDo...
ABAIXO A PÓS MODERNIDADE diz:
"nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar " e é a jogar com a gente mesmo;
não com o outro, não somos mesquinhas assim. somos inteiras...
Mari diz:
é mesmo, Mel
Mari diz:
é o preço que a gente tem que pagar
Mari diz:
e não tem nada de errado nisso, né?
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Não minha amiga, não tem nada errado nisso!

postado por: MmM 12:41 AM


Pode Falar: Terça-feira, Março 07, 2006

¿quando dá tudo errado

visto uma camiseta e faço um rabo-de-cavalo

quando dá tudo errado

como pouco e tomo muita água

quando dá tudo errado

me masturbo e durmo até mais tarde

quando dá tudo errado

troco os lençóis

passo perfume francês

faço as unhas das mãos e dos pés

e dispenso penitência

já que não deu tudo certo

coloco um disco que gosto

escolho uns poemas que toquem

e os releio deitada no sofá

tudo errado que dá

é consciência¿



Martha Medeiros

postado por: MmM 12:44 AM


Pode Falar: Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

"Onde cê tava? Tava sumida, morreu?" Risos...não, tava só deprimida!


No Elevador do Filho de Deus
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressuscitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

Elisa Lucinda

postado por: MmM 9:30 PM


Pode Falar: Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

2006 tem que chegar devagar, pq ando muito sensível

postado por: MmM 7:22 PM


Pode Falar: 2005 ta indo...

postado por: MmM 7:21 PM


Pode Falar: tentando...

postado por: MmM 7:16 PM


Pode Falar: Terça-feira, Novembro 01, 2005

E nada disso parece certo. Pular daí é errado, pular daqui também o é. E agora? Fica-se parado nesse penhasco? Ninguém quer dar um passo para trás. São dois pra lá e dois pra cá.

postado por: MmM 1:32 PM


Pode Falar: Sexta-feira, Agosto 26, 2005

O AGADÁ DA TRANSFORMAÇÃO


Em meu peito vazio de despeito
Oxum fincou o seu ixé
sou o peixe mergulhado
no canto do pássaro odidê
pousado na folha da vida
trinando a ternura
que aconchega a criança
Ó peixe dourado que vais nadando
os dias e as noites da minha sorte
emblema de Oxum me levando
águas de Oxalá me lavando
no banho lustral da minha morte
Existo em minha natureza Ori
levedado pelos Orixás
embora o costado dos ancestrais clame
a costa dos escravos proclame
o cravo cravado no lombo
me tombando no tombo
da contra-costa rebelada do meu axé
inflamando na chaga do congo
a chama incendiária do quilombo
A senha dos atabaques devolve
no ricochete do tan-tan
as mentiras brancas ventiladas
aos ventos das humilhações tragadas
basta ouvir o som grave do rum
o repicar do rumpi
o picar agudo do lé
e as irmãs negras portadoras do sofrimento
os homens moldados nos crepes ancestrais
em uníssono clamor de convulsivo furor
(Abdias Nascimento)

postado por: MmM 10:39 PM


Pode Falar: Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Ainda presa aos meus devaneios tento aos poucos fincar os meus pés de leve no chão... De leve mesmo, porque como já disse Chico a gente vai sonhando, pois sem isso 'ninguém segura esse rojão'. Eu pelo menos não. Umas coisas estão bem concretas e visíveis e outras... É imaginação! Risos. Gosto muito de imaginar, não posso negar. Fiz umas descobertas interessantes sobre mim nesses últimos tempos. Descobri que eu preciso de atenção. Acho que mamãe Oxum é responsável por isso, mas nunca tinha visto isso em mim. Não sei ainda se gosto ou não dessa descoberta. Acho que não é tão ruim assim porque não é 'venha a mim tudo e ao outro nada'. Andei pensando nisso esses dias. Acho que esse fuá séc. 21, das notícias flash - new/old, do ¿me perdoe à pressa é alma dos nossos negócios¿ deixou os habitantes do aiyê um pouco mais incessíveis. Tenho certeza que também sou assim, não estou aqui me isentando. Foi só uma observação. Essa é uma das tantas coisas que gosto nesse processo duro de crescimento e/ou envelhecimento. Começo a saber de verdade o que me agrada e o que não. Sem receios, sem vergonhas. Talvez uma sinceridade sacana, não sei, mas quando é pra verbalizar, não ando economizando linhas.

*Ouvindo Melodia! Pérola Negra no acústico termina com uma outra música bem legal, segue aqui essa outra parte que para mim foi novidade. Viva ao acaso!

A COITADINHA FRACASSOU ( Hélio Nascimento / Arnaldo Passos )

Todo mundo sabe
que esta bela criatura
teve o lar tão lindo
e o meu sincero amor
mas a boemia dela se apoderou
e a coitadinha fracassou

Tinha tudo quanto de mim precisava
carinho que é bom não faltava
nunca houve uma zanga sequer
um dia deu adeus e deixou nosso ninho
indo em busca de novos carinhos
que pena, uma linda mulher .



postado por: MmM 11:10 PM


Pode Falar: Terça-feira, Agosto 09, 2005

Risos...Hoje eu to bem Ana Cristina C! Nem perguntem o pq...

"...não ter posição marcada, idéias, opiniões, fala desvairada.
Só de não ditos ou de delicadezas se faz minha conversa, e para não ficar louca e inteiramente solta neste pântano, marco para mim o limite da paixão, e me tensiono na beira: tenho de meu (discurso) este resíduo.
Não tenho idéias, só o contorno de uma sintaxe (= ritmo)."

Ana Cristina Cesar

postado por: MmM 12:13 AM


Pode Falar: Quarta-feira, Agosto 03, 2005

Meus pensamentos andam muito rebeldes e avançados para o ritmo e condição quase convencional que venho tentando sustentar. Tentando é ótimo e péssimo. Mas é assim mesmo que me sinto, fazendo coisas que jamais faria, dizendo coisas que jamais diria... Ando incontrolável! Alguém me puxe de volta pro meu eixo por favor. É uma ansiedade tão angustiante que mal tenho conseguido comer... esse semestre realmente promete! Preciso encontrar novamente o meu equilíbrio, apesar de estar gostando um pouco dessa fase out of track, risos. Nem vou comentar de okan pq como já diz a música 'ele foi caminho abandonado, onde ninguém mais queria seguir e aventurar...'
Ando ouvindo bastante Joan Cartwright, uma voz maravilhosa que chegou aos meus ouvidos pela gentileza do meu querido irmão Swa. Tem uma música ótima que traduz um pouco do que ando sentindo... Essa música me lembra muito 'black love' e os meus tempos de states. É engraçado perceber que se aplica aqui tb...Bom, essa é a trilha da semana!

'I wanna man that is free and handy
who will answer when I call.
When he says that he loves me for the rest of his life
I don¿t wanna have to wonder what he is telling his wife!
Nobody¿s husband, don¿t want nobody¿s husband,
No, no, no, no, no, nobody¿s husband!
I wanna a lover, I wanna lover of my own!'

postado por: MmM 5:48 PM


Pode Falar: Sábado, Julho 30, 2005

Risos...*E quando me encontrar, meu grande amor me reconheça!* Inspirada esses dias. Esse é o último final de semana de férias, dá até uma tristezinha. Bom, mas vamos que vamos pq a fila tem que andar não é mesmo? Último semetre, um monte de coisas pra fazer, vários projetos (as always...) e muito mais. Hoje a noite fiquei ouvindo Ro Ro e ela cantou a minha trilha sonora do dia. Fomos de Gota de Sangue até Amor, meu grande amor!

postado por: MmM 12:34 AM


Pode Falar: Domingo, Julho 24, 2005



Elisa Lucinda

Um BoNde ChaMado seu BeiJo

Quem encobrirá meu sono?
Beijará quem minhas costas no cotidiano?
Quem, no meio do frio, me cobrirá com lindas orelhas
e me dirá palavras indecentes nos ouvidos?
Quem, atrevido, me acordará com o ponteiro em riste
como um pássaro que não quer tudo
apenas o céu, a gaiola, o alpiste?
Quem que, quando eu dormisse, por mim zelasse
e eu, quando acordasse, lhe fizesse iogurtes brejeiros
massagens nos pés, cumplicidades de enlace?
Quem me agarrará por trás quando eu sair cheirosa do banho
e terá orgulho de eu ser guerreira e perfumada ao mesmo tempo?
Quem em bom senso dirá que muito me assanho
quem orientará a guerrilha diária a que me proponho
quem será inteligente e gostoso a meu lado como está no meu sonho?
Quem, a quem me disponho a cozinhar e fazer versos
quem racional e perverso cochichará nos tímpanos da minha alma
a doce ordem, a venal palavra: Calma?
Quem com sua alma me mostrará um mar vertical?
Quem, meu igual, me apontará andores reais, sem excesso de glacê no bolo
Com determinação de touro e a nobreza de poder ser banal?
Quem, coisa e tal, me beijará a boca e me enfiará as mãos
por debaixo da barra do segredo do vestido
e um dia passeará comigo no segredo contido na Barra do Jucu?
Quem, senão tu que eu elejo, eu planejo, pode habitar o lugar
a suíte que há tanto tenho reservado?
Quem, encomendado, pode me manter na confiança dos edredons
enquanto não chega?
Quem, com certeza, me visitará num outubourbon no gume da lira
de eu ser égua, cadela, mulher e sua?
Quem sobre mim sua, pinga, chove?
Quem que com lucidez resolve o abismo simples de prever o risco de sonhar
pra nele mesmo cair, rir
e se embolar?
Quem me dará a idéia de conceber a saudade no sentido tático
quem, não estático, de longe me fará cometer poemas de meia-noite?
Quem, sem favor, me estende o braço com rosas na mão
com explicação pro meu calor?
Quem, senão meu doido bondinho
meus olhos acesinhos, meu comedor...
Meu triz, meu risco
meu cristo redentor?


postado por: MmM 11:38 PM


Pode Falar: Sábado, Julho 16, 2005

Fim-de-semana-de-trabalho...Não posso reclamar né? Não vou, axé. Continuo meio confusa com algumas coisas que me cercam e sei que esse semetre será de pontos. Alguns de continuação e outros de fim mesmo. Ando me sentindo meio covarde por prolongar uma situação que já terminou, mas tantas coisas estão envolvidas no processo, tantas pessoas queridas, que na hora de verbalizar (e eu gosto muito de verbalizar tudo!) me falta o tom. Bom, deixa a vida me levar não é mesmo?

postado por: MmM 5:36 PM


Pode Falar: Sábado, Julho 09, 2005

A água limpa e castiga São Salvador City. Do meu quarto ouço o zunido do vento. Da janela tenho a impressão que o dia amanhã pode se atrasar, se é que ele vai conseguir chegar. Sozinha na minha cama essa chuva me lembra até o que nunca tive. É estranho sentir saudade do que nunca existiu. Ou talvez até tenha existido, já que na minha cabeça a lembrança é tão forte e tão real que talvez eu não possa duvidar da sinceridade do sentimento. Uma mentira verdadeira. Ando inventando algumas mentiras esperando que elas se tornem verdades. Lembro de meu pai - raras são as vezes que lembro dele - brigando comigo e dizendo que de tanto eu mentir que estava doente, em manhãs chuvosas como as que andam nascendo esses dias, eu ficava realmente doente. Isso é uma verdade. Já adoeci assim, de mentira. Espero que as outras mentiras se concretizem também. Existe esperança e até um fundo de verdade.


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PROFISSÃO DE FEBRE
Paulo Leminsky

quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento

postado por: MmM 1:28 AM



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